Como desenvolver o autocuidado e a atenção à saúde mental?

Quadros de ansiedade e depressão aumentam durante a pandemia

“Se não tivermos consciência sobre nós mesmos, não teremos noção nem do próprio processo de adoecimento mental.” O alerta é da psicóloga Ana Café sobre a importância da atenção à saúde mental e ao autocuidado em meio a uma rotina tão acelerada quanto a atual.


Em entrevista ao Programa Vida Melhor, a psicóloga Ana Café falou sobre a importância do Janeiro Branco e do cuidado com a saúde mental, como lidar com as emoções e desenvolver o autocuidado.


A Psicóloga observa que os problemas de saúde mental apresentaram um crescimento durante a pandemia, como aumento dos quadros de ansiedade e de depressão. Ela reforçou a necessidade de lembrarmos dos cuidados com nossa saúde emocional e psicológica, do mesmo jeito que cuidamos do corpo, do trabalho, etc.


Como perceber quando estamos adoecidos?


“Trabalho com psicologia há 26 anos e uma coisa que me assusta e me surpreende é como adoecemos mentalmente sem sabermos que estamos adoecendo. As pessoas, muitas vezes, não têm noção do que está se passando, a Psicologia e a Psiquiatria acabam ficando por trás das cortinas”, preocupa-se Ana.


A partir de trabalhos com crianças e em escolas, a psicóloga percebeu que as questões referentes a problemas de saúde mental começam desde cedo e que, então, a promoção da saúde mental também deveria ter início o quanto antes.


“Daí vem a ideia do trabalho do Instituto Contruir Ser, por exemplo, da vontade de não precisarmos chegar ao ponto de ter que tratar o sintoma, mas fazer com que as pessoas entendam que é possível ter uma qualidade de vida mental e emocional a partir das suas escolhas, a partir de uma visão preventiva”, pontua Ana Café.


Como fazer a prevenção?


De acordo com a psicóloga, o autoconhecimento é fundamental para que possamos nos perceber, nos conhecer como sujeitos de nossas emoções e de nossos sentimentos. “Precisamos entender que não somos apenas seres pensantes e produtivos, somos também, necessariamente, movidos por emoções e sentimentos.”


São essas emoções e sentimentos, segundo ela, que paralisam o sujeito no momento em que um transtorno mental começa a se manifestar. “Com o avanço tecnológico, estamos vivendo de maneira acelerada, com pensamentos acelerados e, quanto mais demandas e preocupações nos impomos, mais afastados de nós mesmos ficamos.”

Nas consultorias que faz em empresas, Ana conta que há um momento em que pergunta a alguém o que ele está sentindo. “Muitas vezes, a pessoa não sabe responder, porque não está conectado consigo mesma, com a própria vida. Se não tivermos consciência de nós mesmos, não teremos noção nem do próprio processo de adoecimento”, alerta.

Citou como exemplo o Butão, País na Ásia Meridional que se preocupa tanto em manter o seu povo em harmonia e feliz que, ao invés do governo medir o PIB, adotaram um índice diferente, o Felicidade Interna Bruta, FIB. Eles medem o desenvolvimento do país pelo nível de felicidade da população.


O bombardeio da mídia sobre o que é relevante para nossas vidas ou não também foi citado a partir da perspectiva de ser necessário filtrar as informações.


“Vemos as pessoas numa roda vida de estarem em mais de uma jornada de trabalho, mais de um emprego e isso também contribui para o adoecimento. O Brasil é o segundo país com mais venda de medicação psiquiátrica, principalmente os ansiolíticos. Com a pandemia, esse panorama foi agravado.”


Ana finaliza enfatizando a necessidade de buscarmos ajuda, de nos livrarmos dos preconceitos e dos estigmas em relação aos tratamentos psicológicos e psiquiátricos, porque isso não é “coisa de doido, mas sim coisa de gente que tem sentimento”.


Assista a reportagem completa em: https://www.youtube.com/watch?v=YKRST3HnGGA




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