Dependência química: como prevenir o uso das drogas entre crianças e adolescentes

Atualizado: 12 de jul. de 2021

A informação é a principal arma, e ações com pais e filhos devem ocorrer ainda na escola


A dependência química é uma epidemia com reflexos devastadores, em que o maior desafio das autoridades é recuperar os dependentes e promover a sua reinserção na sociedade. Nesse sentido, o Instituto Construir cria um modelo de intervenção sistemática para identificar situações de vulnerabilidade e orientar pais e cuidadores de crianças e adolescentes para uma formação cidadã.


O Instituto Construir Ser nasce do ideal da psicóloga clínica Ana Café, especialista no assunto. Os objetivos são a promoção da saúde mental e emocional de crianças e adolescentes e a participação da família e da escola como parceiros fundamentais.


A colaboração e a participação ativa dos governos municipal, estadual e federal e da sociedade civil, com o apoio à ações que preconizam a redução e o uso de substâncias psicoativas também são buscados.

"Não vamos apenas tratar os doentes, mas sim prevenir a doença. Vamos construir uma sociedade com menos dependência das drogas", afirma Ana Café.


Prevenção de Drogas em crianças e adolescentes


De acordo com a psicóloga, os traumas da infância costumam explicar os comportamentos da vida adulta, e a dependência química é um dos problemas relacionados a essa fase da vida. “O Instituto trabalha para prevenir o problema e tem como uma de suas premissas promover a prevenção por meio de palestras e eventos nas escolas”.


O estatuto de fundação do Instituto prevê que o trabalho do Construir Ser é promover a saúde emocional e comportamental e os direitos de crianças e adolescentes de todo o Brasil. A proposta deve ser concretizada por meio da participação em redes de mobilização social e campanhas de promoção da saúde e prevenção ao uso indevido de drogas e Dst/Aids.


O projeto é uma ferramenta de acompanhamento, prevenção e mobilização voltada a crianças, adolescentes e seus familiares que estejam em situação de vulnerabilidade social devido ao uso ou ao convívio com pessoas que façam uso de drogas.


As consequências da dependência química


Uma pesquisa da Organização Pan-americana de Atendimento em Saúde (OPAS) apontou que 52,8% das pessoas que consomem bebidas alcoólicas fazem isso para relaxar; 18% para dormir; e 12% para controlar a irritação.


As pesquisas indicam que os reflexos na sociedade são devastadores, e a violência contra a mulher é um exemplo. Isso porque, os abusos aos quais ela é submetida na infância, na adolescência e em seus relacionamentos amorosos criam as condições para a dependência química.


“É uma epidemia que, como uma teia, avança e envolve todos os segmentos da sociedade”, considera Ana Café. Ela aponta, ainda, que o álcool e as drogas são responsáveis por um alto número de queda na produtividade das empresas e afastamentos do trabalho.


"O diagnóstico do alcoolismo leva em conta o aumento da tolerância - você bebe cada dia mais um pouco - e as evidências que surgem no comportamento, como violência física, agressividade e afastamento de pessoas ao seu redor.”


Construindo uma sociedade livre das drogas

O Instituto Construir Ser realiza práticas integrativas e de atenção à saúde, faz atendimento psicossocial, promove palestras e campanhas informativas nas empresas, escolas, igrejas, comunidades, entre outros.


Atualmente, presta atendimento a crianças e adolescentes, filhos de usuários ou que façam uso de substâncias psicoativas, nas comunidades da Barra da Tijuca, Cidade de Deus, Pedra de Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro.


É desenvolvido um trabalho de atendimento psiquiátrico, psicológico e de grupo com foco no desenvolvimento de valores sociais e espirituais fundamentais para o bem-estar biopsicossocial dessa população.


A ideia é levar o modelo de atendimento para núcleos montados em outras regiões do país. "A nossa missão  é permitir e promover o potencial transformador das pessoas por meio do autoconhecimento, reconhecimento de suas potencialidades e limites, auto aceitação e autocompaixão", finaliza Ana Café.



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